quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Matou a política e foi ao cinema.

Olá leitores, boa tarde!
Segue o texto de hoje onde contemplo a falta de civismo e o descaso daqueles que vivem na bonança.
Texto muito bom de Guilherme Fiuza, jornalista e autor do livro "Meu Nome não é Johnny".

A eleição mais disputada do Brasil foi decidida pela ignorância. A ignorância dos cultos e dos bem-pensantes.

O vencedor, candidato de Lula e do governador Sérgio Cabral Filho, era também o candidato das milícias, como mostraram as pesquisas de opinião.
Além do braço armado, tinha o braço da pirataria ideológica.
Panfletos difamatórios foram apreendidos aos milhares nos comitês de Eduardo Paes.

A parcela mais esclarecida da população, aquela que grita por uma cidade mais civilizada e ética, aderiu a Fernando Gabeira. Uma "onda verde" das pessoas de bem adotou o candidato da transparência, que divulgou nome por nome dos seus doadores de campanha. E as quantias também. Tudo isso antes do primeiro turno. Uma revolução.

Num eleitorado de quase 5 milhões, Gabeira perdeu por pouco mais de 50 mil votos. Não foi derrotado pela campanha suja do adversário. Foi derrotado pelas "pessoas de bem".

A abstenção no Rio foi recorde. No feriadão criado pelo padrinho do vencedor, mais de 20% não votaram. E esse recorde foi puxado pela Zona Sul da cidade - onde está a maior concentração de cultos e bem-pensantes. Dessa turma, nada menos que um em cada quatro eleitores trocou a urna por um programa melhor.

Gabeira foi derrotado pelo eleitor de Gabeira.

O candidato do Partido Verde, que fez história nessa eleição com sua cruzada contra a baixaria, disse que derrotaria as máquinas estadual, federal e universal - a do bispo Crivella, amigo de Lula, que assim como as milícias aderiu a Eduardo Paes.

Gabeira derrotou-as. Só não conseguiu vencer a máquina da ignorância culta.

É a mais letal das ignorâncias. Trata-se daquela em que o sujeito tem educação e informação suficientes para discernir. Mas não assume suas responsabilidades.

Do povão manobrável, espera-se que seja manobrado. Das milícias e máquinas, espera-se que manobrem o povão. Da elite esclarecida, espera-se que dê o exemplo.

A elite esclarecida matou a política e foi ao cinema. Ou à praia. É direito dela. Só não tem mais direito de choramingar a falta de ética dos outros.

3 comentários:

  1. Muito bom seu texto sobre o cenário político do Rio. Parabéns.
    Apenas uma observação: o apoio de César Maia a Gabeira praticamente matou a campanha. Por mais que haja uma divisão ideológica em proporções de igualdade no Rio, há uma grande repulsa ao continuísmo que durou longos 16 anos - entre as gestões de César e Conde.

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  2. Caro Bernardo, apesar de estar morando fora do Rio concordo com a sua colocação. Quero apenas destacar que o texto é do jornalista Guilherme Fiuza, autor do livro "Meu Nome Não é Johnny"!

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  3. Ciente, Anderson.
    Blog altamente recomendado para leitura.

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